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Lázaro Piunti

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(Conto de natal)!

Naquela tarde, antevéspera do natal, a bicharada se reuniu no terreiro perto do galinheiro, no sítio do seu Janjão.

O movimento espontâneo não tinha liderança específica. Surgira do medo enraizado no instinto dos animais.

Aterrorizados, eles finalmente, tinham despertado para o perigo representado pelo bicho-homem.

O Peru tomou da palavra dizendo que a sua descendência não suportava mais ser o prato preferido da ceia natalina. Ele e os seus nada fizeram para sofrer tão triste sorte.

O Galo pediu um aparte e também reclamou. Já se cansara de se usado como propaganda da chamada “Missa do Galo”. Pior: depois dos cânticos em louvor ao Filho do Deus-Menino, os seus filhos eram servidos como refeição dos humanos. Ele mesmo corria risco humilhante. Além do destroncamento do pescoço, acabava rebaixado para “frango assado”. Logo ele, chefe do galinheiro.

A velha choca, atraente franga no passado, denunciou a constante roubalheira dos ovos. Postos para a reprodução da espécie e não para consumo insaciável da raça humana.

Os patos ouviam calados. Interiormente concordavam com o protesto, porém, guardavam mágoa perpétua das galinhas. Os ovos das patas eram maiores, no entanto, tinham menor valor no mercado graças à falsa publicidade ruidosamente feita pelo cacarejar da galinhada. Grunhindo muito, o obeso cachaço disse que a desgraça era coletiva. Ele não se conformava em ver tanto leitão assado e leitoa pururuca na mesa natalina. E escutara rumores dando conta que ele mesmo, em breve, seria esquartejado e vendido no açougue da vila.

A noite já se aproximava e, de repente, sem tempo de votação de qualquer proposta em defesa dos interesses de todos, viram-se acuados pelos latidos ameaçadores do cão de guarda do lugar. O cachaço, depressa, rabicho balançando, voltou para o chiqueiro e se acomodou no palheiro. Os bípedes, penas encrespadas, voaram para seus poleiros. Mas, na mente de todos permanecia uma dúvida: quem era pior? O seu Janjão, escravocrata, que lhes determinava o tempo de vida, ou o cão perdigueiro, puxa-saco do dono? Ambos, intolerantes a qualquer protesto.

E o silêncio baixou. Pesado!

 

Lázaro Piunti

(dezembro/2025).

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