Lázaro Piunti

Era o entardecer de 05 de setembro de 2026 (coincidentemente o dia da canonização de Madre Teresa de Calcutá).
A frondosa árvore com seus 166 anos de frutuosa existência, prostrava-se ao solo, na definitiva agonia.
A “Mangueira do Colégio do Patrocínio” cumprira a sua missão.
Em sua jornada terrena, dera frutos saborosos, acolhera as aves criadoras que em seus galhos edificaram seus ninhais. Sob seu manto protetor, abrigara milhares de crianças felizes, jovens esperançosos, adultos agradecidos.
Sob sua sombra hospitaleira, a árvore contemporânea de Madre Teodora Voiron se fizera missionária. Discreta confidente. Exercera, no seu silêncio, a verdadeira “Pastoral da Escuta”, guardando segredos de confessionário. Quantas irmãs piedosamente meditaram sob sua guarda; tantas delas em gratidão imorredoura pela beleza da vida abençoada do claustro. Algumas, abrindo o coração para expor suas angústias decidindo em não dar sequencia à vocação religiosa.
Há multiplicidade de dons, mas, o Espírito é o mesmo! A Mangueira do Colégio do Patrocínio nunca abdicou do seu silêncio.
Espécie de antessala do sacrário, onde reside o conforto da esperança, a renovação das certezas, o beneplácito das bênçãos promanadas do Deus Onipotente. Até no derradeiro instante ela foi mãe abençoada.
Tombou na hora vespertina, sem ferir seres viventes, que diuturnamente buscavam o seu colo amoroso. Em vida jamais feriu. Não seria no vórtice derradeiro da despedida, que provocaria eventual acidente.
Por isso encerrou seu ciclo, num repente. Na solidão consciente da missão consumada. Ela se foi deixando mais que saudade. Seu legado é transcendental. Recheado de lições. Além dos frutos doces, a deliciosa mensagem de muda compreensão das dores humanas e íntimo compartilhamento das alegrias benfazejas. Dos que vivem a entrega ao Senhor em gestos inconfundíveis de amor.
A Mangueira do Bem escolheu as vésperas da primavera para concluir seu inverno temporal. Compreendamos sua última mensagem. E bem digamos a Deus!
Lázaro José Piunti - ITU-SP
