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Márcia Etelli Coelho - Crônica ficou em Terceiro Lugar no Concurso da Academia Itanhaense de Letras.

bomfim ee9d2Varanda da casa de praia Itanhaém

Paulo Bomfim, o eterno príncipe dos poetas, orgulhava-se em ser paulista e tinha um imenso amor por Itanhaém.

Sua chegada a essa cidade praiana coincidiu com rojões e caramurus. Não exatamente devido à sua presença, mas decorrente da inauguração da casa dos irmãos Foz.

O relógio do tempo marcava 1939 e com a mente criativa dos seus 12 anos de idade, talvez o menino Paulo tivesse imaginado, pelo menos por um segundo, que aquele festejo seria para ele.

Pensando, bem... Talvez não...

Por ter em si a semente da virtude da humildade, Bomfim provavelmente apenas contemplou a magia daquele momento.

Da minha parte, gosto de imaginar a cena descrita por ele quando à noite e o gerador se apagava, a vila adormecia um sono de pirilampos e de serenatas.

Lá, muitas amizades se desenvolveram, unindo-se às lembranças de um rio que por muito tempo atravessou seu sono.

Nas inúmeras Folias de Reis, reencontros.

No nome da Biblioteca Municipal, uma justa homenagem que, para Bomfim, não ocorreu pelo seu destaque literário, mas simplesmente correspondendo ao amor que sentia pela cidadezinha adormecida entre a benção do convento e o rio desaguando no mar.

Sim! Para Paulo Bomfim, Itanhaém era o refúgio de sua vida e, com certeza, foi grande inspiradora.

E lá vou eu novamente imaginando Bomfim em sua casa de praia escrevendo belos poemas e reflexivas crônicas, comunicando vida e poesia em um túnel de palavras.

Em seus passeios pela memória, Bomfim se referia a ela como Itanhaém da minha mocidade.

Navegante súdito da noite, entre o poema do silêncio e a sinfonia branca, Paulo Bomfim se eternizou no tempo reverso, colecionando minutos e encontrou nas linhas dispersas, um pouco do seu lar.