Lázaro Piunti - 16-08-2026.

Os dias se sucedem.
São lentos, demorados, quase indistintos. Dar um passo a mais exige razoável esforço. Uma caminhada maior cobra sacrifícios.
O corpo físico, matéria em desgaste, tarda em responder aos impulsos da mente lúcida.
Pelo menos, a clareza das ideias resiste. Vive-se o limiar da partida.
É a porta de entrada para um estágio repleto de mistérios. O olhar ao derredor mostra um cenário de nostalgia.
Tantos amigos já partiram.
Familiares queridos tomaram a dianteira na viagem ao etéreo. Resta a crença.
Mais que o alimento humano, que nutre o corpo, é a Fé. Que emoldura a Esperança!
Um consolo imenso para os que creem. O começo do fim terreno é um processo natural que precisa ser devidamente acolhido.
Não há lamúrias, não cabem reclamações – são dispensáveis os lamentos.
Ao contemplar o tempo passado pelo retrovisor da vida, não há como negar porções de tristeza atormentando a alma.
Espiam-se os defeitos de conduta, as oportunidades perdidas.
Quando e quanto se poderia ter sido mais útil. No amor às pessoas, nos cuidados com a natureza, no plantio da compreensão social e humana.
O medo do que virá é humano.
Como a criança no ventre materno. Ela se sente protegida e resiste ao nascimento. Pura insegurança ante o desconhecido.
E a experiência se repete. Há temor quanto ao passo seguinte, pela incerteza do desconhecido.
Nessa hora sagrada, exigente, de cores indefinidas, remanesce o consolo aos que se afligem.
Seu nome: Fé. Única palavra ajustada ao pensamento em transe.
Que a Fé não esmoreça.
Permaneça.
