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Geraldo Nunes

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Existe uma lenda na qual se afirma que Dimas teria dado abrigo a Maria, José e ao Menino Jesus durante a fuga para o Egito – Mt. 2:13-23. O fato é que Dimas só aparece nos textos bíblicos na figura do “bom ladrão”, aquele crucificado à direita de Jesus no Calvário. Da conversa entre os dois veio o exemplo que é possível conquistar o perdão divino, ainda que no último momento da vida, desde que de fato se esteja arrependido. Dimas pede a Cristo que o leve para o mesmo lugar aonde ele irá e o divino mestre assegura: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso” – Lc. 23-43.

Agora os tempos são outros, não deveria ser assim, mas nos dias atuais, o termo “bom ladrão” soa como ironia aos que praticam crimes de ordem financeira que resultam em benefícios a ele e outras pessoas que acabam impunes pela justiça graças à ação de advogados. O “bom ladrão” serve também para justificar atitudes de determinados políticos lembrados com palavras do tipo; “ele rouba, mas faz”. Neste “universo de ladrões” onde vivemos, será que ainda existem os que roubam e depois se arrependem?

O ato de se arrepender não pode e nem deveria ser encarado como atitude de alguém que, por algum erro, passa a se lastimar e se cobrar pelo resto da vida. Isto não é arrependimento, é culpa. Para aliviar as culpas se faz necessário refletir os motivos que levaram a determinada atitude e para refletir a respeito, se faz necessária a ajuda de um profissional, seja ele um sacerdote, um psicólogo ou mesmo um psiquiatra. O mais importante nessas horas é saber perdoar a si mesmo e seguir adiante sem ficar remoendo o passado. Jesus, na oração do “Pai Nosso”, ensina perdoar “as nossas ofensas e a quem nos tem ofendido”. A decisão de perdoar é um desafio que não pode ser dito apenas da boca para fora, o perdão precisa vir da consciência, da alma, do fundo do coração.

Ainda há aqueles que só encaram o perdão em benefício próprio, quando depois de roubarem são descobertos, presos e vão para a cadeia. O arrependimento e o perdão se misturam no turbilhão dos interesses pessoais, mas são palavras sublimes que só os verdadeiramente cristãos conseguem compreender e praticar. Por isso é sempre bom lembrar Dimas, que ao perceber a injustiça diante de um verdadeiramente justo, abriu seu coração e descobriu Cristo no momento final da vida e, perdoado pelo Senhor, ao lado dele na cruz, se arrependeu dos pecados que praticou e conquistou o paraíso.

 

Geraldo Nunes, jornalista, ocupa a cadeira 27 da Academia Cristã de Letras – ACL.

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