
Aconteceu no século 6, antes do nascimento de Cristo.
Cambises II governava a Pérsia e no seu reinado a Justiça era considerada o principal valor. Porém, certo dia, os fiscais do monarca descobriram que o alto magistrado da Corte, doutor Sisamnês, costumava vender sentenças aos mais abastados.
O rei agiu rápido. Prendeu e mandou executar o juiz corrupto.
Foi mais longe: determinou que retirassem cuidadosamente a pele do seu corpo. Seus médicos fizeram um bom trabalho de laboratório. A pele, bem conservada, por ordem do Rei, foi utilizada para forrar a cadeira do tribunal onde o magistrado tomava assento.
A cadeira sinistra serviria como exemplo para futuros julgadores entenderem que justiça se faz com decência e honestidade.
A advertência estaria ali, na pele forrando o assento. Para tornar mais exemplar sua decisão, o soberano persa resolveu nomear novo juiz para o cargo justamente o filho do falecido Sisamnês.
O jovem Otanes. É real? Sim, escolheu Otanes, filho do magistrado executado.
A História confirma que o moço ocupou a função pelo resto da vida com retidão e sabedoria.
Ele se acomodava na cadeira de Juiz revestida com a pele do seu próprio pai. Ali, na poltrona do Tribunal, estava o aviso permanente da importância de se fazer Justiça de forma honrada e digna.
Essa História é verdadeira.
Nos tempos atuais, século XXI, felizmente já não esfolam mais juízes corruptos.
Não há necessidade. Nossos conspícuos julgadores são autênticos paradigmas da moralidade – vivos perfis de seriedade e imparcialidade. Sobram certezas quanto à probidade dos que nos julgam. São agentes incorruptíveis e sábios.
Confiáveis. Absolutamente confiáveis.
Lázaro José Piunti
OAB-SP 55716
Advogado/Poeta/escritor.
