Geraldo Nunes

O poeta Paulo Bomfim se tornou amigo da poetisa Flora Figueiredo através do encontro que promovi entre os dois dentro de um programa de rádio levado ao ar em uma manhã fria de inverno. Na oportunidade Flora e Paulo recitaram suas poesias dedicadas à cidade de São Paulo. Pouco tempo depois, Flora lançou o livro Estações no qual retrata em versos as quatro estações do ano. Na época redigi uma crônica que agora repasso como prova de carinho a quem quiser ler.
Como escrever um livro de poesias de maneira organizada, se a poesia está em todo lugar, o tempo todo? Quem observa situações assim, descobre que é possível poder enxergar pessoas e lugares de uma forma diferente. Para isso é preciso sentir na alma, aquilo que costumamos chamar de sensibilidade poética.
Não se sabe quando a poesia bate à nossa porta, mas é preciso estar com o coração aberto para recebê-la, ser sensível e permeável. Só mesmo os poetas conseguem viver em constante estado de graça e ser poeta é permitir se abrir, para que a poesia possa fluir. Ser poeta é fazer da palavra parte de nossa vida, é enxergar o que parece ser ruim pelo lado bom, olhar sobretudo, com os olhos do coração.
A poesia depurada em letras, nasce em verso ou prosa e os que me ensinaram a compreender o sentido da poesia de forma sentimental, foram Paulo Bomfim e Flora Figueiredo. Flora, mesmo diante da agitação enxerga a poesia no cotidiano, em especial nas frias noites de inverno, porque só o inverno sabe aquecer. As tardes de verão, as manhãs de primavera e as madrugadas de outono são cheias de poesia a ponto de Flora escrever um livro chamado “Estações”.
Flora, como diz seu próprio nome, veio florir a cidade com seus poemas dados de presente para São Paulo neste livro sensível e emocional. Somente ela, mulher e flor, observou o que há de humano e singelo nas estações do ano em meio aos espinhos fincados nessa metrópole selva de pedra. Até mesmo entre pedras e o concreto costumam surgir flores e a poesia de Flora Figueiredo, graças ao livro Estações, oferece o perfume das rosas na forma de calor humano a esta cidade tão fria!
Geraldo Nunes, jornalista, ocupa a cadeira 27 da Academia Cristã de Letras – ACL.
