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  • Fonte: Gabriel Kwak

paulo bomfim prof d7f2f

Muitos de nós, que engrossamos as fileiras dos formadores de opinião, dissertarão sobre o ser humano de rara nobreza que foi o poeta Paulo Bomfim, por ocasião do seu iminente centenário. Inclusive, eu. No momento, me contento em relembrar o poeta de Antônio Triste apenas para destacar o texto que Paulo esculpiu quando partiu em 1992 o mais paulista dos pernambucanos José Tavares de Miranda, o gigante do colunismo social, poeta maiúsculo, católico praticante que integrou não só a Academia Paulista de Letras como a nossa Academia Cristã de Letras. Realço aqui o “Adeus da Tavares de Miranda”, de autoria de Paulo Bomfim:

“Parte a voz de seu ERGÁSTULO
E o menino do Recife
Retorna infâncias perdidas
À luz do Capiberibe,
Volta o moço a barricadas,
Ao ideal dos companheiros,
À paixão das madrugadas,
Às ALAMBOAS de outrora.
GALBA é céu de nosso adeus,
Arcam-se arcadas do largo
Onde o poeta semeou,
Elíseos Campos aguardam
O peregrino que chega,
Choram velhos linotipos
Sobre a crônica esquecida.
E o pranto de seus amigos
É soluço na neblina,
Caminho de evocações
Sobre o PASSO DA MEMÓRIA!
Ainda ontem o sorriso
Era senha-despedida,
Agora tudo é partida,
Diálogo interrompido,
Verso que não foi escrito,
Sonhador que volta ao sonho.
Agora, apenas José!”