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  • Fonte: Geraldo Nunes

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No 135º aniversário da “Rerum novarum”, o atual Pontífice reflete em sua primeira encíclica, a necessidade dos gestores da Inteligência Artificial levarem a nova tecnologia para todas as classes sociais

Em seu discurso proferido na Sala do Sínodo, na apresentação da “Magnifica humanitas”, primeira encíclica de seu pontificado, em 25 de maio de 2026, o papa Leão XIV lançou um alerta sobre a “gravidade do momento que estamos vivendo” e a preocupação da Igreja, em “decifrar coisas novas sob a luz do Evangelho”. O papa fez referências, ao uso da Inteligência Artificial. Diante dos jornalistas que cobrem os acontecimentos do Vaticano, o pontífice salientou que a Igreja não tem um posicionamento contrário aos avanços da tecnologia, mas fez uma exortação no sentido de que esses avanços não fiquem concentrados nas mãos de poucos, que sejam compartilhados para assim diminuir a disparidade já existente entre os incluídos e os excluídos da “Revolução Digital”.

A encíclica “Rerum novarum” (1891), de Leão XIII, surgiu quando a “Revolução Industrial” promovida no final do século XIX, ainda não estabelecia direitos básicos como a carga horária em cada dia de trabalho, o descanso semanal e as férias remuneradas. Naquele momento, o crescimento da indústria colocava em risco a vida daqueles que trabalhavam nas fábricas. Agora a situação é outra, o avanço tecnológico lança um alerta sobre a situação econômica dos mais frágeis em relação às novas formas de emprego e a falta de transparência no uso da Inteligência Artificial que tem lançado dúvidas em relação ao que é falso ou verdadeiro, por não deixar margens de diferenciação entre o autêntico e o fictício.

O papa Leão XIV em sua encíclica sugere aos detentores das novas tecnologias que garantam a todos meios de acesso compatível para a compreensão desses avanços de modo a proteger os mais vulneráveis contra a disseminação do preconceito, do ódio e a desinformação, além de permitir que essas tecnologias fiquem submetidas ao controle público. Como nos tempos de Leão XIII, os novos métodos de produção proporcionam ganhos extraordinários ao mesmo tempo em que precarizam o trabalho de outros. O sumo pontífice em sua carta, não pede um freio ao desenvolvimento, mas recomenda prudência e responsabilidade aos gestores das novas tecnologias para que essas não alterem radicalmente a vida social dos cidadãos.

Ao concluir a encíclica com mais de 200 páginas, o Sumo Pontífice faz votos que a Inteligência Artificial proporcione o surgimento de uma “nova era de artesãos da esperança”, no sentido de formar um itinerário de vida cristã voltado ao respeito e amor ao próximo, sem as ostentações e exageros tão comuns nas redes sociais. Para o papa não há como impedir a tecnologia, por isso conclama a todos para que utilizem a Inteligência Artificial com sobriedade pelo propósito maior de aproximar a humanidade aos ensinamentos de Jesus Cristo.

 Fontes: Artigos da Agência Vatican News:
A encíclica de Leão XIV: a IA deve servir à humanidade, não ao poder de poucos e
O Papa apresenta a Magnifica Humanitas: "Desarmar a IA" – 25/06/2026
Estadão Conteúdo: A inteligência artificial e a humanidade – 26/05/2026

Geraldo Nunes, jornalista, escritor e consultor literário, é titular da cadeira 27 da Academia Cristã de Letras - ACL

 

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